quinta-feira, agosto 28, 2008

Sob cada nome, um rosto

"Sob cada nome, um rosto"

28.08.2008, Esther Mucznik

O Holocausto tornou-se, pela negativa, património da humanidade e todas as pessoas que exercem uma função educativa

"Vim para aqui livre e agora saio com uma obrigação". Ana Pinheiro, professora em Celorico da Beira, resumia assim o sentimento que a animava no final de um seminário sobre o ensino do Holocausto direccionado, pela primeira vez, a professores portugueses do ensino secundário, maioritariamente de história. O seminário teve lugar neste mês de Agosto no Yad Vashem, instituto para a memória e ensino do Holocausto, em Jerusalém, e contou com a presença de trinta professores de diferentes escolas do país, seleccionados em colaboração com a Associação Portuguesa de Professores de História.
Porquê um seminário sobre o ensino do Holocausto? Será que se pode "ensinar" o que até hoje permanece não só como a referência do mal absoluto, mas também como algo impensável? E ensinar o quê e como, precisamente? Perguntas de difícil resposta, mas para os professores da Escola do Yad Vashem o objectivo não é de dar respostas simples "não há nenhuma pergunta sobre o Holocausto que tenha uma resposta clara de sim ou não", mas o de despertar no público-alvo, neste caso os professores, a reflexão e a motivação para o conhecimento sem os quais nenhum ensino é possível.
Qual a principal dificuldade do ensino do Holocausto? É o questionar das nossas certezas mais profundas. O estudo de todo o processo da "Solução final" alerta-nos não para a "banalidade" do mal - continuo a pensar que o mal não é banal - mas sim para a sua possibilidade em seres normais, banais esses sim, desde que estejam reunidas algumas circunstâncias, nomeadamente a desumanização das vítimas. É isso que é perturbante: reconhecer que o Holocausto não foi obra apenas de um punhado de homens excepcionais na sua monstruosidade, mas que a demência mais aberrante, a mais escandalosa, pôde realizar-se devido à cumplicidade de uma massa de pessoas normais, civilizadas, razoáveis. Normais na medida em que amavam a sua família e o seu país, obedeciam a ordens e achavam que estavam a cumprir o seu dever.
O Holocausto mudou para sempre algumas das ideias--chave da nossa civilização, nomeadamente, que através da cultura e da educação o homem se vai aperfeiçoando; que é tanto mais moral quanto mais instruído; que a ciência é uma escola de progresso, racionalidade e aperfeiçoamento. A pior das barbáries teve lugar não num país subdesenvolvido, mas na nação europeia que se orgulhava da mais elevada tradição cultural, com um sistema de ensino altamente desenvolvido. É por tudo isto que a história do Holocausto é uma história difícil de contar. Mas não é possível fazer de conta que Auschwitz não existiu. O Holocausto tornou-se, pela negativa, património da humanidade e todas as pessoas que exercem directa ou indirectamente uma função educativa, nas escolas, em família, nos meios de comunicação ou na formação da juventude, têm como obrigação intelectual e moral educar contra Auschwitz.
Como? Um dos lemas centrais do Yad Vashem é: "Sob cada nome, um rosto". Ou seja, o número de seis milhões de judeus mortos no Holocausto só toma sentido através das inúmeras histórias de vida que sistematicamente o Yad Vashem recolhe desde a sua criação em 1953. Contra a desumanização nazi, é fundamental humanizar as vítimas: mais do que como morreram, importa contar como viveram. O novo museu é o espelho desta perspectiva e todos os seminários incluem testemunhos de sobreviventes para desvendar uma vivência que, de outro modo, nos é ocultada: a vivência individual, individualizada, única, tão igual e tão diferente.
No entanto, humanizar a história não basta. É necessário conhecer em detalhe e em profundidade todo o processo da máquina de morte, a sua cronologia, clarificar os conceitos. Não há ensino possível sem um conhecimento aprofundado e permanente. É essa a chave para impedir o sentimento de cansaço e de saturação que por vezes se gera entre alunos e mesmo entre professores e que normalmente é directamente proporcional à ignorância sobre a questão. O trabalho de comparação e relacionamento histórico é outro dos elementos essenciais do ensino do Holocausto, para se poder reconhecer noutros dramas da história uma parte da terrível continuidade que levou ao genocídio nazi, mas também para evitar analogias apressadas que, baseando-se na ignorância e superficialidade e obedecendo a imperativos de propaganda ideológica, se apressam a estabelecer comparações históricas abusivas.

Em Portugal, o estudo e a reflexão sobre o Holocausto são quase inexistentes. Isso testemunharam os professores que participaram no seminário em Jerusalém. Os manuais escolares são um claro reflexo dessa lacuna: os textos que abordam o estudo da Segunda Guerra Mundial incluem, a propósito do Holocausto, alguns extractos do Diário de Anne Frank, de textos de Ilse Losa ou de historiadores vários, mas frequentemente numa perspectiva "utilitarista", mais como pretexto para passar a outros temas mais consensuais ou "urgentes", tais como o racismo, ou simplesmente para debater generalidades. A propósito de um texto de Ilse Losa, por exemplo, sobre o regresso de um jovem do campo de concentração, eis a proposta de trabalho dos autores de um manual: "Escreve três frases sobre os malefícios deste terrível flagelo - a guerra. Escreve mensagens a favor da PAZ no mundo". Não está em causa o desejo de paz, em si mesmo, genuíno e vital. Mas este será tanto mais forte quanto maior for o conhecimento das consequências da sua ausência e não através da sua afirmação repetitiva e esvaziada de conteúdo. O esforço de relacionamento é fundamental no conhecimento da história: para se conhecer a essência dos fenómenos e para que a história se torne, na medida do possível, inteligível e significativa e não apenas uma sucessão de acontecimentos sem nexo. Mas esse trabalho de comparação e estabelecimento de relações causais só é possível através do estudo aprofundado de cada fenómeno histórico em si mesmo. Se não, apenas gera ignorância, indiferença e cansaço.
É talvez isso mesmo que pretendia exprimir um dos professores, ao concluir: "É preciso estar aqui, em Israel, para compreender o Holocausto".
Investigadora em Assuntos Judaicos

Público

segunda-feira, agosto 25, 2008

cursos na arco

Os Cursos de Verão (a partir dos 15 anos) e os Programas para Jovens (dos 9 aos 14) constituem oportunidades para a exploração lúdica de capacidades e talentos e para a sensibilização ou introdução a uma ou várias técnicas e áreas disciplinares.


Ateliê de Ilustração/BD (dos 9 aos 14)

Utilização das imagens na sua relação com a palavra. Utilização da cor na ilustração. Pequenos truques da narrativa. Contar uma história em banda desenhada.
Professor: Jorge Nesbitt

data: 1 a 6 de Set 2008; 2ª a Sábado das 10h00 às 13h00
local: Rua de Santiago, 18, Lisboa
preço: 18 horas - 190,00€ (materiais incluidos)


Cerâmica

Demonstração/experimentação na roda de oleiro e outras técnicas de construção na cerâmica: rolo, placa e bloco. Técnicas de vidragem: compressor, banho e pincel. Enforna para chacota e vidrados.
Professor: Tiago Jesus

data: 1 a 11 Setembro 2008; 2ª a 5º feira das 10h00 às 13h00
local: Quinta de São Miguel, Almada
preço: 24 horas - 230,00 €


Fotografia Digital

Conceitos básicos de fotografia: do analógico ao digital; correcções básicas em Adobe Photoshop; a cor no digital; modos de selecção; retoque; layers; máscaras; técnicas de fotomontagem; câmera RAW; automatismos; filtros.
Professor: Márcio Vilela

data: 1 a 11 Setembro 2008; 2ª a 5º feira das 10h00 às 13h00
local: Rua de Santiago, 18, Lisboa
preço: 24 horas - 230,00 €


Curso Intensivo de Desenho e Pintura - 1ª Parte: Desenho

A partir de exercícios de dificuldade crescente e da experimentação de várias técnicas (tinta da china, grafite, carvão) são abordados diversos temas e modos de representação. O curso visa aprofundar a capacidade experimental e técnica do aluno, bem como o seu potencial inventivo e expressivo. Uma sessão com modelo vivo.
Professores: João Miguéis; Paulo Brighenti

data: 8 a 12 de Setembro 2008; 2ª a 6ª feira das 10h00 às 13h00
local: Rua de Santiago, 19, Lisboa
preço: 15 horas - 140,00€ (Parte 1 + Parte 2 - 260,00€)

Curso em 2 partes, de 1 semana cada, podendo ser frequentadas em separado ou em conjunto.


Curso Intensivo de Desenho e Pintura - 2ª Parte: Pintura e Desenho

A partir de exercícios de dificuldade crescente e da experimentação de várias técnicas (carvão, guache, óleo) são abordados diversos temas e modos de representação. O curso visa aprofundar a capacidade experimental e técnica do aluno, bem como o seu potencial inventivo e expressivo. Uma sessão com modelo vivo.
Professor: João Miguéis; Paulo Brighenti

data: 15 a 19 de Setembro 2008; 2ª a 6ª feira das 10h00 às 13h00
local: Rua de Santiago, 19, Lisboa
preço: 15 horas - 140,00 € (as duas partes 260,00 €)

Curso em 2 partes, de 1 semana cada, podendo ser frequentadas em separado ou em conjunto.


Esmaltes em Joalharia

Utilização do esmalte clássico na produção de peças de joalharia, bijuteria ou outras artes decorativas.. Findo o conjunto de sessões previsto, os formandos deverão ser capazes de reconhecer o esmalte clássico, assim como aplicá-lo adequadamente, com o recurso às diversas técnicas aprendidas.
Professor: Sofia Serrano

data: 15 a 25 de Setembro 2008; 2ª a 5º feira das 18h00 às 21h00
local: Rua de Santiago, 13, Lisboa
preço: 24 horas - 230,00 €


Vídeo

O curso não exige formação prévia específica. Introdução à tecnologia do vídeo (argumento, som, rodagem narrativa e documental, montagem e pós-produção). Práticas da imagem em movimento, clássicas e experimentais, velozes e flexíveis. Possibilidade de desenvolvimento acompanhado de projecto pessoal.
Professor: Hugo Brito

data: 15 a 25 de Setembro 2008; 2ª a 5º feira das 17h30 às 20h30
local: Rua de Santiago, 19, Lisboa
preço: 24 horas - 230,00 €


Embora o Ar.Co faça todos os esforços para evitar alterações, reserva-se o direito de cancelar cursos ou alterar programas e horários e professores.