sábado, abril 14, 2007

A TV e a OTA

"A ENTREVISTA DO PRIMEIRO MINISTRO, OS SEUS COMENTADORES E A OTA

O que me pareceu extraordinário, ontem, na Televisão, não foi a entrevista do Primeiro Ministro, mas os comentadores que se seguiram (em vários programas) que se mostraram absolutamente incapazes de se interessarem pelos problemas com real importância para o País, como é o caso do problema do aeroporto da Ota, referido pelo Primeiro Ministro.

É muito dificil esclarecer o País sobre este e outros problemas, quando o espaço televisivo é ocupado por comentadores deste tipo.

No caso do aeroporto da Ota, acho que o Primeiro Ministro não tem razão e está mal informado. Os estudos para construir este aeroporto estão extraordináriamente atrasados e ninguém pede que parem. Pelo contrário, devem ser acelerados para podermos ver dum modo claro e convincente , dentro de um ano ou dois, se este aeroporto deve ou não ser construido.

O desejavel, e alguns se popõem fazer, é estudar em paralelo outras localizações que possam servir como elementos de comparação e, sobretudo, que nos evitem a voltar à estaca zero se o aeroporto da Ota vier a ser inviabilizado, como é possivel.

Que a NAER não estude outras localizações, ocupada e atrasada como está no estudo do aeroporto da Ota, é normal e mesmo desejavel para não se trasar mais. O que não pode é olhar com hostilidade e desejar que outras entidades: Universidades, Câmaras, Ordens, entidades privadas e simples cidadãos, fiquem parados, sem nada criticar, obrigados a aceitar as soluções únicas propostas por ela, NAER, por piores que elas sejam.

Permito-me pedir à Comunicação Social que dê alguma atenção a cartas como a que se segue, que ontem enviei ao Engenheiro Artur Ravara, que ilustra o que acabei de escrever. (12 de Abril de 2007)

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Lisboa, 11 de Abril de 2007

Caro Engenheiro Artur Ravara,

A sua intervenção na televisão na passada semana esclareceu-me sobre um problema, mas levantou-me um outro.

Na página 8 do EPIA relativo ao aeroporto da Ota, feito em 1999, vem escrito:

" Os trabalhos preliminares incluirão o desvio, ou canalização, da ribeira de Alvarinho, cuja bacia hidrográfica a montante da localização tem cerca de mil hectares …"

Quando li estas linhas e olhei a carta topográfica pensei que a ribeira do Alvarinho teria de ser canalizada dada a manifesta dificuldade (elevado custo) em a desviar..

Mas, depois, inteirei-me da necessidade de consolidar os terrenos argilosos do leito desta ribeira antes de sobre eles poder ser construida a conduta da canalização.

Surgiu-me assim um problema: como construir a conduta sobre terrenos que previamente têm de ser consolidados operação para a qual convem não estarem alagados, o que só se consegue depois da conduta feita ? Fiquei sem saber como é que os engenheiros civis o iriam resolver.

Na sua intervenção televisiva na semana passada deu-me a resposta:

Está previsto não canalizar a ribeira do Alvarinho sobre o leito inicial, mas desvia-la para o Rio de Alenquer. Fui ver numa carta topográfica. Para fazer este desvio é necessário um tunel com cerca de 4 km. Informei-me junto de especialistas que disseram-me que este tunel, com duas frentes de trabalho, demoraria a construir cerca de 2 anos e meio.

Surge-me assim um outro problema: a operação de desvio da ribeira tem de anteceder a operação de consolidação dos terrenos, ou as duas podem ser feitas em simultâneo?

Esta informação é necessária para fazer um PERT para avaliar a duração dos referidos trabalhos preliminares que, no primeiro caso, não durarão menos de 5 anos.

Gostaria conhecer a sua opinião sobre o assunto e, no caso de estar enganado, peço-lhe que me corrija.

A impressão que tenho é a de que ainda não se sabe bem o que é que se pretende construir.

Gostaria de ver uma planta, por exemplo, na escala 1/50.000, já algo definitiva, do aeroporto projectado com os seus acessos rodo e ferroviários, para o poder comparar com outros similares e ter uma ideia do modo como vai funcionar. Em vez disso, vejo na imprensa esboços de um aeroporto, umas vezes com os edifícios principais construidos no meio, outras vezes atravessado ao centro por uma linha TGV e uma via rápida. Os sites do MOPTC e da NAER não me esclarecem sobre esta questão.

Gostaria também de ver o projecto proposto pela "Parsons" para consolidar os terrenos do leito das ribeiras apreciado por especialistas portugueses, alguns com uma muito razoavel experiência na matéria. E gostaria também de ouvir a opinião da "Parsons", que fez o estudo que lhe encomendaram, e também a dos "Aeroports de Paris" sobre se, em face das dificuldades encontradas na Ota, aconselham a não procurar uma outra localização para o NAL, que mais não seja para poderem ser feitas comparações.

São questões para as quais , penso, com tempo, serão dadas algumas respostas. Mas há, neste momento, uma outra pergunta, esta quase sentimental, que gostaria de lhe fazer.

Para fazer uma obra como o aeroporto da Ota é necessária muita maquinaria. Quando é que os engenheiros civis terão uma ideia razoavelmente precisa das máquinas necessárias para construir o NAL na Ota? Eu sou engenheiro mecânico e comecei a trabalhar, há 50 anos, no projecto de maquinas para serem usadas nas grandes obras de construção civil, na MAGUE que foi pioneira no assunto e depois chegou a construir os maiores pórticos do mundo. Estou certo que a MAGUE, se tivesse continuado, estaria agora capaz de fabricar muitas das máquinas necessárias para construir o aeroporto da Ota, ou qualquer outro. Há actualmente outras empresas portuguesas com condições para o fazer? Estão elas a ser estão alertadas para o assunto?

Penso que, directa ou indirectamente, na sequência da sua intervenção televisiva e deste email poderemos trocar opiniões sobre estes assuntos.

Com os meus melhores cumprimentos subscrevo-me

António Brotas"