terça-feira, dezembro 19, 2006

LIVROS SOBRE Media e Jornalismo

Porto Editora


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A FormalPress
editou

2004
A Imprensa em Portugal – Transformações e Tendências Paulo Faustino

2005
O Voo da Borboleta Reginaldo Rodrigues de Almeida

2006
A Sociedade Optimizada pelos Media Herlander Elias
O Alargamento da União Europeia e os Media Paulo Faustino (coord.)
A Televisão Light Rumo ao Digital Francisco Rui Cádima
Ética e Responsabilidade Social dos Media Paulo Faustino (Org.)

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A Livros Horizonte/CIMJ

Colecção Media e Jornalismo

Media, Jornalismo e Democracia
Vários

Comunicação e Sociedade
Vários [coordenação de João Pissarra Esteves]

Jornalismo Cívico
Vários [organização de Nelson Traquina e Mário Mesquita]

Os Jornalistas Portugueses (1933-1974). Uma profissão em construção
Rosa Maria Sobreira

Linguagem e Modernidade. Comunicação e experiência nas sociedades mediatizadas
Gil Baptista Ferreira

O Crime nos Media. O que nos dizem as notícias quando nos falam de crime
Cristina Penedo

Comunicação e Cidadania. Os media e a fragmentação do espaço público nas sociedades pluralistas
João Carlos Correia

Leitura das Notícias. Contributos para a análise do discurso jornalístico
Cristina Ponte

Identidades, Media e Política. O espaço comunicacional nas democracias liberais
Maria João Silveirinha

As Mulheres e os Media
Maria João Silveirinha (Coord.)


A Teoria da Comunicação de Alfred Schutz
João Carlos Correia

O Comentadores e os Media. Os autores das colunas de opinião
Rita Figueiras

Silêncio e Comunicação. Ensaio sobre uma retórica do não-dito
Tito Cardoso e Cunha

A TV de Proximidade e os Novos Desafios do Espaço Público
Pedro Coelho

A Construção do Olhar
João Carlos Abrantes (Coord.)

A Representação das Minorias Sexuais na Informação Televisiva
Clara Roldão Pinto Caldeira

Ecrãs em Mudança. Dos jovens na Internet ao provedor da televisão
José Carlos Abrantes (Coord.)

Os Militares e a Censura. A censura à imprensa na ditadura militar e Estado Novo (1926-1945)
Joaquim Cardoso Gomes

Os Diários Generalistas Portugueses em Papel e Online
António Lopes da Silva

Telenovela Brasileira. Um estudo sobre a recepção
Verónica Melo Policarpo

Televisão: das Audiências aos Públicos
José Carlos Abrantes e Daniel Dayan (Org.)

Moeda e Comunicação. A representação mediática do €uro
Vários [organização de Maria João Silveirinha e Cristina Ponte]


sábado, dezembro 09, 2006

OS COMBOIOS (e aeroportos..) QUE VAMOS TER

Carta ao Ministro das Obras Públicas

Lisboa, 8 de Dezembro de 2006

Ex. Senhor Ministro das Obras Públicas Transportes e Comunicações,

No dia 5 de Dezembro, o jornal "Diário Económico", numa notícia sobre o propósito do MOPTC avançar rapidamente com a construção do troço de Palmela a Alenquer da futura linha TGV do Porto a Lisboa, com o investimento previsto de mil milhões de euros, transcreve a afirmação de V. Ex. : "o primeiro troço a avançar em obra no projecto de alta velocidade deverá ser o Ota[Alenquer]/Pombal, que está a ser alvo de apreciação do respectivo impacte ambiental."

O projecto deste troço foi, de facto, entregue pela REFER, no dia 19 de Setembro, no Instituto do Ambiente para efeitos de avaliação ambiental, o que obriga, nos termos da regulamentação europeia, a um periodo de consulta pública não inferior a um mês, mas, foi depois - e talvez V.Ex. não tenha sido informado ˆ retirado pela REFER por um periodo de dois meses, talvez para o melhorar.

O periodo de consulta pública foi assim remetido para não antes de Janeiro. Esta consulta não é um pró forma. Pode indicar inconvenientes ambientais e outros, que obriguem a reponderar muito sériamente a construção da obra.

No documento " Orientações Estratégicas para o Sector Ferroviário", que se encontra nos sites do MOPTC, da CP, da REFER e o INTF, e que foi divulgado em 28 de Outubro pelo MOPTC para sobre ele serem recolhidas opiniões até 30 de Novembro, encontrei (da figura da página 28 da versão impressa resumida) uma primeira informação sobre este troço do TGV de Pombal a Alenquer, que, embora muito superficial, mostra que:

1- A linha TGV prevista, não passa no aeroporto da Ota, mas sim perto do aeroporto. Nesta linha está prevista uma estação da Ota (a cerca de 7 km da povoação da Ota) onde os passageiros vindos numa navete de alta velocidade de Lisboa deverão descer, para tomar um outro transporte ferroviário até ao aeroporto a cerca de 3 km.

2-A linha TGV, numa extensão de vários quilómetros, é construida numa encosta em que os desniveis são dos 5 aos 60 metros, com um traçado paralelo a uma ribeira a que nalguns pontos quase se sobrepõe. O seu impacto ambiental não pode ser avaliado separadamente do próprio aeroporto.

3-Uma primeira ideia do seu impacto, será, no entanto, possivel quando for conhecido o seu traçado preciso com cotas, e, ainda, o traçado com indicação dos viadutos, das vias ferroviária e rodoviárias de acesso ao aeroporto, elementos que normalmente figurarão no projecto que a REFER irá entregar no Instituto do Ambiente.

Este problema do troço de linha TGV de Pombal à Ota, é só um dos muitos problemas com imenso interesse focados nas "Orientações Estratégicas para o Sector Ferroviário" cuja concretização influenciará decisivamente o desenvolvimento do nosso país e que o MOPTC submeteu a consulta pública num processo que desejou participado e transparente e terminou a 30 de Novembro.

Enviei dois contributos dentro do prazo para o INTF, mas não sei se terão sido recebidos muitos mais. Parece-me, no entanto, manifesto que até agora não foi dada a este assunto a atenção devida .

Assim, sugiro a V. Ex. que prolongue o prazo, para que o país se inteire da importância do assunto e seja possivel receber mais contributos.

Com os meus melhores cumprimentos, subscrevo-me

António Brotas

sábado, dezembro 02, 2006

ANÓNIO BROTAS

Divulgo emails que recebi de António Brotas..

PARA O INSTITUTO NACIONAL DE TRANSPORTE FERROVIÁRIO
Lisboa, 29 de Novembro de 2006
Ex. Senhores,
Com o pedido de os considerarem componentes dum contributo para o debate em curso sobre o documento: "Orientações estratégicas - Sector Ferroviário" do MOPTC, envio-vos os dois textos que a seguir transcrevo, e ainda o texto que envio em anexo : "Contributo para o estudo da Rede Ferroviária Portuguesa de Bitola Europeia" , que foi publicado na revista INGENIUM da Ordem dos Engenheiros.
Tentarei, se possivel amanhã, enviar-vos um outro texto com mais comentários.
Em qualquer caso, sugiro um adiamento do prazo limite desta consulta pública e ainda, se possivel, para tornar a consulta verdadeiramente pública, que os textos com contributos sejam desde logo divulgados numa rúbrica do site do INTT, sem necessidade de ficarem à espera de serem mais tarde apreciados pelos técnicos do INTT. Os comentários aos comentários podem facilitar o trabalho de apreciação e sintese final e, por outro lado, o conhecimento de comentários já enviados, pode dispensar o envio de outros que os repitam.
Com os meus melhores cumprimentos
António Brotas

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A PONTE PARA O BARREIRO

No dia 28 de Outubro, o Ministro das Obras Públicas e a Secretária de Estado dos Transportes apresentaram na FIL, diante de cerca de 300 técnicos, as "Orientações Estratégicas para o Sector Ferroviário", que o MOPTC decidiu "submeter a consulta de várias entidades da Administração Central, Autarquias, organizações empresariais e sindicais, associações ambientalistas e, em geral, a todos os cidadãos que queiram contribuir para o seu enriquecimento" (estando esta consulta pública prevista até ao dia 30 de Novembro).

Neste documento, disponivel na Internet nos sites do MOPTC, da CP, da Refer, é indicado de um modo inequívoco o própósito do MOPTC de construir uma ponte ferroviária para o Barreiro.

O impacto dos projectos do Ministério sobre a cidade de Lisboa é gigantesco. Era de esperar , assim, que a Câmara de Lisboa procurasse debruçar-se com os seus técnicos sobre o documento do MOPTC, para lhe transmitir as suas críticas e com ele conjugar projectos de interesse comum. Em vez disto, a Câmara de Lisboa entendeu dar prioridade à aprovação de uma grande urbanização que, manifestamente, interfere com o trajecto dos comboios TGV vindos pela ponte do Barreiro, no caso desta ponte ser construida. A Comunicação Social interessou- se, como não podia deixar de o fazer, por este assunto, cujos contornos ainda não estão muito claros.

Infelizmente, ele tem estado a desviar a atenção da questão verdadeiramente importante para o futuro de Lisboa e de toda a região em volta, que é esta:

A ponte ferroviária para o Barreiro deve ser construida ?

Eu penso que não, pelas razões que passo a expor de um modo muito resumido:

  1. A ponte para o Barreiro tem custos e inconvenientes ambientais muitíssimo grandes, manifestamente ainda não suficientemente avaliados, e o Ministério não estudou outras soluções, provavelmente mais baratas e fáceis de construir, para os TGV destinados a Badajoz.
  2. Até 2005, o Ministério considerou que esta ponte devia servir para os comboios TGV destinados a Badajoz, ao Algarve, ao Porto e ainda para as navetes destinadas ao aeroporto da Ota. Em 2006, no entanto, considerou que, dado a elevada duração destes dois últimos trajectos, seria necessário construir uma outra entrada a Norte de Lisboa para os TGV para a Ota e para o Porto. São estas duas entradas dos comboios TGV em Lisboa que são propostas no documento "Orientações Estratégicas" agora posto em discussão.
  3. A entada dos TGV pelo Norte de Lisboa para irem à Ota e ao Porto é igualmente caríssiva e tem grandes inconveniente ambientais. Esta solução foi, de facto, posta de lado pela anterior direcção da REFER dados os seus custos. Mas, se for agora adoptada, serve, também, quase sem encargos adicionais, para os comboios para Badajoz e para o Algarve. Basta, que eles atravessem o Tejo, de Norte para Sul, perto da Ota.
  4. As soluções da ponte do Barreiro e da saida a Norte de Lisboa, em separado, parecem-me não as melhores. Há anos que insisto com o Ministério para estudar outras soluções. Mas, o que me parece verdadeiramente absurdo é construir as duas ao mesmo tempo. Os danos ambientais sobrepõem-se e a acumulação de verbas na cidade de Lisboa, que acaba por ficar pessimamente servida, parecem-me inaceitaveis para o resto do país.

Nestas condições, penso que há que pedir ao MOPTC para prolongar o prazo para discussão pública destas "Opções Estratégicas", que têm muitas outras questões a tratar, e fazer um apelo à Comunicação Social para se interessar pelo assunto.

António Brotas

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O ALENTEJO E O TGV

O traçado da rede ferroviária da metade Sul do País ( a Sul de Pombal) continuará a ser uma incógnita enquanto não for definido o modo de travessia do Tejo pelos futuros comboios TGV ( AV).

Acontece que esta sigla TGV ( e a sigla AV – Alta Velocidade) têm, infelizmente, desviado a atenção da população do que está efectivamente em causa. Assim, recentemente, um jornal fez um inquérito entre os seus leitores para saber se eram a favor ou contra o TGV. A maioria deles, impressionados com o custo do empreendimento e pouco interessados em ir de comboio a alta velocidade para Madrid , ou para o Porto, respondeu naturalmente que era contra.

Ora, as linhas para os comboios TGV são, apenas, algumas das linhas da nossa futura rede ferroviária de bitola europeia que, durante talvez três décadas, terá de coexistir com a actual rede de bitola ibérica, mas que temos de começar a construir desde agora, para aproveitar os créditos da CE (em parte já perdidos com as nossas hesitações, projectos disparatados e insuficientes estudos) e sob pena de nos atrasarmos irremediavelmente e sermos a breve prazo um país ferroviáriamente isolado, se o não fizermos.

Quais, dessas futuras linhas de bitola europeia deverão ser linhas TGV, isto é, linhas que permitam a circulação de comboios com velocidades até perto de 350 km/h ? Depende da geografia e das faixas de mercado que se pretendam captivar. Mas atenção, nas linhas TGV circularão, também, comboios com velocidades muito mais baixas destinados a servir as populações locais e também, normalmente, comboios de mercadorias.

Assim, por exemplo, a linha de Aveiro a Vilar Formoso, que um dia teremos de construir e será a nossa principal via de ligação ao exterior para passageiros e mercadoria, deverá ser uma linha que permita a circulação de comboios até cerca de 220 km/h. Numa região acidentada como a Beira Alta, o custo de uma linha TGV seria muito mais alto e não se justifica para ganhar 15 minutos a atravessar o país. No que diz respeito às mercadorias, a vantagem da nova linha é a de os vagãos poderem ir até à Polónia e não ficarem limitados à Espanha, enquanto os espanhois não mudarem a bitola.

No Alentejo, a linha Lisboa - Badajoz, que seguirá para Madrid, deverá ser uma linha TGV, porque a diferença de custo em relação a uma linha de velocidade mais baixa não é muito grande e porque a Alta Velocidade é essencial para os comboios desta linha poderem competir com os voos para Madrid. Mas, atenção, os comboios TGV de Alta Velocidade para Madrid serão, talvez, 6 ou 8 por dia. Nos intervalos, circularão nesta linha comboios com uma velocidade muito mais baixa que servirão as populações locais do Alentejo e da Estremadura Espanhola. Numa cidade como Évora, por exemplo, deve ser previsto um desvio a Sul da linha TGV, para construir a estação da cidade e onde os comboios mais lentos e de mercadorias poderão estacionar. É de excluir a ideia dos comboios passarem a 350 km/h à hora diante dos cais cheios de passageiros à espera do comboio seguinte.

Estes aspectos mais directamente relacionados com os interesses das populações locais podem ser algo esquecidos pelos projectistas da linha TGV , preocupados com os comboios de alta velocidade, e é conveniente que os autarcas se interessem por eles.

O Primeiro Ministro já disse que a linha de Lisboa a Badajoz é prioritária e esperemos que tal se venha a confirmar na Cimeira Ibérica deste fim de Novembro. Neste momento, o verdadeiro atraso resulta do Ministério das Obras Públicas ainda não ter mandado fazer os estudos de engenharia necessários para fazer a conveniente escolha do local onde os comboios TGV deverão atravessar o Tejo. É muito importante que a Imprensa nacional, e em particular, a do Alentejo se interessem por este assunto o que, na verdade, não tem sucedido.

António Brotas

Professor catedrático jubilado do IST.

1 de Dezembro de 2006

Ex.mo Senhor Ministro das Obras Públicas,

Assisti no dia 28 de Outubro às exposições feitas na FIL por V.Ex. e pela Secretária de Estado dos Transportes sobre o documento: "Orientações estratégicas para o Sector Ferroviário".

Não foi dada oportunidade, nem tal seria indicado, para, na altura, os presentes comentarem as exposições feitas e o documento apresentado.

O Ministério fez o que devia fazer: divulgou o texto em vários sites da INTERNET e submeteu-o a uma consulta, tendo em vista seu enriquecimento, que desejou participada e transparente, para que foram convidadas várias entidades e simples cidadãos.

Enviei ontem e antes de ontem, para o INTF , dentro dos prazo fixado para esta consulta, que terminou ontem, os dois textos de que junto cópia, que incluiram vários anexos, em muitos aspectos fortemente críticos do documento apresentado.

Julgo corresponder , assim, ao desejo do Ministério, e terei o maior gosto em debater as críticas e sugestões apresentadas ( e algumas mais) com os técnicos que o Ministério desejar.

Mas, neste momento, interrogo-me sobre uma questão: quantos, de entre os cerca de 300 técnicos que assistiram ao encontro de 28 de Outubro, enviaram comentários escritos ? Quantas entidades, ou simples cidadãos, emitiram opiniões durante a consulta pública ? Receio que muito poucos.

Peço, assim, ao Ministério que alargue o prazo desta consulta.

Mas mais, penso que a Administração não é responsavel pelo manifesto desinteresse que há, actualmente, em Portugal por este tipo de consultas. Mas pode fazer algo para o combater. O que sugiro, nos emails juntos, é que o INTF , no seu site, quando de uma consulta, abra uma rúbrica para divulgar imediatamente as opiniões que lhe forem chegando. Estou certo que uma medida deste tipo estimulará o envio de muito mais comentários.

No caso concreto dos textos críticos que enviei, será muito mais facil para o Ministério avaliar a sua validade, se outros cidadãos os conhecerem de imediato e sobre eles transmitirem a sua opinião.

Tenho, assim, alguma esperança de que o Ministério e o INTF tenham em conta estas sugestoões.

Com os meus melhores cumprimentos

António Brotas