segunda-feira, junho 05, 2006

A TV DO FUTEBOL

Eis o índice e outras informações sobre este livro, coordenado por Felisbela Lopes e Sara Pereira.



Introdução

Quando a bola pára e pensa o futebol (Felisbela Lopes e Sara Pereira)
B.I. Mundial (Rui Cerqueira)



I Parte: O planeamento da cobertura do Mundial 2006 nos canais de TV

Sport TV: O canal com a exclusividade das transmissões televisivas em Portugal (Miguel Prates)

SIC: O espectáculo global do futebol (António Cancela)

RTP: "A cobertura do Mundial não é apenas uma sucessão de transmissões de jogos" (João Pedro Mendonça)

TVI: Um jogo desequilibrado à partida (Luís Sobral)



II Parte Olhares dos jornalistas sobre o futebol e o jornalismo desportivo

Entre a paixão e o rigor (Carlos Daniel)

Futebol: a emoção, a razão e a especialização ( David Borges)

O espectáculo desportivo em televisão: "treinar" as emoções no "jogo" da informação (Manuel Fernandes Silva)

O canto solitário de um relato de futebol (Paulo Garcia)

O futebol da televisão: um produto ao serviço das audiências e da publicidade? (Luís Sobral)

O futebol não transforma um canal em líder de audiência (Miguel Prates)



III Parte: Perspectivas académicas sobre o futebol na TV

A informação desportiva emitida na TV dirige-se aos sentidos ou ao pensamento? (Felisbela Lopes)

O desporto da TV ou a TV do Desporto? (José Viseu)
Uma Economia do Olhar: notas para uma história do futebol na era da TV (José Neves)

O telepatriotismo durante o Euro 2004 ( Eduardo Cintra Torres)



IV Parte: O futebol e a educação para os media

Educar para os media a pretexto do Mundial de Futebol (Sara Pereira)

Aproveitar o Mundial para conhecer os media (Eduardo Jorge Madureira)

Quando a bola pára e pensa o futebol…



Felisbela Lopes

Sara Pereira





Uma nação a vibrar por uma equipa de futebol, um planeta unido à volta de relvados que juntam países desavindos, povos ricos e pobres, gentes de idades variadas, de classes diversas, de gostos desencontrados. É essa cola do mundo, que nos agrega uns aos outros, que constitui a grande magia de um acontecimento como o Campeonato do Mundo de Futebol. Foi assim no Euro 2004, será assim no Mundial 2006, repetir-se-á essa euforia no Europeu seguinte, depois no Mundial, a seguir no outro e no outro… Face à importância que esses acontecimentos assumem, pensamos ser necessário pensar o redimensionamento deste desporto a partir da mediatização de que é alvo, principalmente na televisão. Trata-se, sem dúvida, de uma reflexão que ultrapassa o momento dos jogos, mas que urge ser feita para se perceber que o futebol vai muito para lá daquilo que se disputa dentro das quatro linhas. Mas não julgue que o queremos afastado dos campos onde se jogam os desafios. Pelo contrário. É exactamente para aí que pretendemos dirigir a sua atenção e levá-lo a pensar nisto: hoje o futebol é um mero jogo ou uma poderosa e rentável indústria potenciada pelos media, nomeadamente pela transmissão televisiva dos jogos? Se as bancadas dos estádios são actualmente substituídas pelas poltronas das salas-de-estar com vista privilegiada para um ecrã de TV que mostra (quase) tudo, que papel terão os jornalistas nessa mediatização? Se gostamos tanto de futebol, poderemos transformar o tempo que gastamos aí numa fonte de aprendizagem, principalmente para os mais novos? Foi com este tipo de questões que fomos ao encontro daqueles que, nos estádios ou nos estúdios dos canais televisivos, fazem jornalismo desportivo e daqueles que, em contexto académico, estudam as repercussões que a cobertura mediática tem na reconfiguração daquilo que se considera ser o desporto-rei. Uns e outros responderam com grande entusiasmo ao desafio de escrever acerca do seu trabalho ou das investigações que desenvolvem.

Sendo alvo aqui e ali de ocasional interesse, o jornalismo desportivo não tem, entre nós, uma tradição de estudos académicos, nem costuma ser alvo de reflexões aprofundadas por parte da classe jornalística. Pontualmente clubes de futebol decretam um blackout (proibição de falar com os jornalistas); treinadores queixam-se de abuso de liberdade de imprensa de determinado órgão de comunicação social; jogadores denunciam fontes que, na sua perspectiva, especulam off the record … e eis que se fala, durante algum tempo, nas relações difíceis do futebol com os media, ficando essas denúncias circunscritas à espuma dos acontecimentos do dia-a-dia. Falta ir mais além para analisar o jornalismo desportivo a partir de vectores como:

· a identidade profissional dos jornalistas que trabalham na área do desporto,

· as fronteiras entre a informação e o entretenimento,

· os limites entre o que pertence ao jornalismo e o que são estratégias de marketing ao serviço dos patrocinadores de equipas e eventos desportivos,

· a separação entre o que é importante e deve ser notícia e o que diz respeito aos interesses dos clubes/jogadores, não passando de manipulação da opinião pública.

Não deixa de ser paradoxal que uma área que suscita tanto interesse do público, e que reúne um indiscutível interesse público, como o jornalismo desportivo seja tão pouco estudada e, até mesmo, tenha alguma dificuldade em entrar na academia, como se estivéssemos perante um jornalismo menor.

Este livro não tem a pretensão de se instituir como título académico, embora comporte artigos que resultam de pesquisas mais vastas desenvolvidas em contexto universitário. Apenas se pretende começar a reflectir algumas problemáticas: o jornalismo desportivo é um subcampo do jornalismo ou situa-se algures entre o entretenimento e uma poderosa indústria que rende milhões de euros? Quais são os modos de actuação permitidos aos jornalistas da editoria do desporto? O jornalismo desportivo sobrevive sem marcas adjectivas e despido de traços emocionais? Pode um jornalista fazer o relato de um desafio de futebol sem violar os princípios deontológicos da sua profissão? Quem são os "donos dos plateaux" dos programas que debatem assuntos ligados ao futebol? No caso da Selecção Nacional, que distância e/ou proximidade o jornalista deve manter em relação a essa equipa? Como se constatará ao longo desta obra, estas perguntas têm respostas discordantes. Essa divergência de pontos de vista acentua a urgência de continuar esta discussão que será tanto mais profícua quanto conseguir reunir aqueles que são uma parte activa no processo de produção da informação desportiva e aqueles que mantêm uma certa distância em relação ao fenómeno, mas que desenvolvem contínuas e atentas análises científicas.

No Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, presidido pelo Prof. Moisés Martins, e no Mediascópio, um projecto coordenado também na UM pelo Prof. Manuel Pinto, visando o acompanhamento da actividade dos media em Portugal, temos procurado estar atentos a fenómenos que colocam em jogo os media e a sociedade. Por isso lançámos recentemente uma publicação colectiva intitulada Televisão e Cidadania: contributos para o debate sobre o serviço público (2005, 2ª Ed) que resultou de uma reflexão feita num contexto em que o próprio conceito de serviço público de televisão estava em discussão.

Esta obra que aqui apresentamos tem uma natureza diferente, colocando lado a lado profissionais e académicos, uma experiência muito positiva que, no nosso entendimento, merecerá outras réplicas. Porque o nosso ponto de partida é o Campeonato do Mundo de Futebol, Rui Cerqueira, jornalista da RTP, traça, ainda nesta parte introdutória, um genérico BI (do) Mundial, salientando a importância que a cobertura televisiva sempre teve/tem no (re)dimensionamento deste grande evento.

Em Portugal, a transmissão dos 64 jogos do Mundial 2006 é da responsabilidade da Sport TV. A SIC ficou com os direitos de free to air, que lhe permitem emitir, em sinal aberto, 13 jogos, incluindo aí todos os desafios que envolvam a Selecção Portuguesa. No entanto, a RTP e a TVI também se mobilizaram para a cobertura mediática deste acontecimento. Não é nosso objectivo pormenorizar a oferta televisiva de cada canal – essa será sempre uma tarefa das auto-promoções e das grelhas publicadas na imprensa e nas revistas de televisão. No entanto, quisemos perceber como cada estação de TV se prepara para esse trabalho e quais as percepções que tem face à cobertura que é possível fazer. Foi esse o repto lançado aos editores de desporto dos quatro canais televisivos. Miguel Prates (da Sport TV), António Cancela (da SIC), João Pedro Mendonça (da RTP) e Luís Sobral (da TVI), cada um a seu modo traça, na I Parte, linhas de rumo para uma cobertura que mobiliza centenas de profissionais.

Partindo do pressuposto de que o jornalismo desportivo tem linguagens e modos de actuação particulares, procurámos olhares dos jornalistas sobre o futebol e o respectivo trabalho jornalístico. Profissionais com responsabilidades diversas e com uma reconhecida carreira pensaram esta problemática a partir de diferentes prismas e, com os seus artigos, constroem a II Parte deste livro. Carlos Daniel, subdirector da RTP e apresentador de programas de desporto, enfatiza as emoções que cruzam o universo futebolístico em diferentes tempos e lugares e problematiza essa transposição para o discurso jornalístico que se faz sobre o futebol. Esse difícil equilíbrio entre emoção e razão detém igualmente grande parte da atenção de David Borges, apresentador de programas de desporto na SIC Notícias, e de Manuel Fernandes da Silva, subeditor de desporto da RTP. Um relato de futebol será informação ou espectáculo? Paulo Garcia, jornalista da SIC e relator desportivo da RDP/Antena 1, ajuda-nos a perceber algumas dificuldades intrínsecas ao trabalho de quem relata um desafio de futebol, mas também alguns fascínios que assaltam a voz solitária do jornalista que, da sua cabine, segue os jogos dos relvados. A dimensão que hoje atinge o futebol, grande parte potenciada pela cobertura mediática de que é alvo, transforma-o numa poderosa indústria, que coloca vários obstáculos aos jornalistas. Como mediatizar uma conferência de imprensa com os treinadores das equipas em jogo, sem promover os patrocínios que são aí publicitados? Como relatar a performance dos jogadores, sem com isso influenciar o seu preço de mercado? Adicionalmente, há ainda as pressões do audímetro, sempre sensível às transmissões dos jogos e às controvérsias do universo futebolístico. Luís Sobral, editor de desporto da TVI, e Miguel Prates, chefe de redacção da Sport TV, explicam alguns desses labirintos.

A III Parte é reservada àqueles que estudam a informação televisiva, nomeadamente a desportiva, e/ou as repercussões que a respectiva mediatização tem nesse desporto e na sociedade. Sendo a TV o meio de comunicação social que destacamos nesta obra, será importante perceber a sua natureza, sobretudo o tipo de informação que pode ser aí privilegiada. Partindo da dicotomia emoção/razão, Felisbela Lopes interroga se a informação desportiva emitida na TV se dirige aos sentidos ou ao pensamento. Como poderosa indústria em que se transformou, o futebol é uma área atractiva para as televisões na medida em que atrai expressivos índices de audiências e, consequentemente, significativas receitas publicitárias. Nesse contexto, José Viseu questiona, ao longo do seu artigo, se há um desporto da TV ou uma TV do desporto. É precisamente em torno da dicotomia futebol/televisão, perspectivada de forma diacrónica, que se desenvolve o texto de José Neves. A terminar esta parte, Eduardo Cintra Torres faz um balanço crítico da mediatização televisiva feita no decorrer do Euro 2004.

A encerrar a obra, Sara Pereira e Eduardo Jorge Madureira propõem, na IV Parte, a abordagem, nas instituições escolares, da informação produzida e difundida pelos meios de comunicação a pretexto do mundial. O trabalho apresentado pelos autores insere-se numa perspectiva de educação para os media, entendida como formação para um uso crítico dos meios de comunicação social e como educação para a cidadania.



1 Comments:

Blogger 7º periodo noturno CES said...

E aew José Carlos... poucos sites ou blogs comentam sobre esse livro, que me parece muito bom! Só tem um problema... não sei onde comprá-lo. POr acaso você teria essa informação? Estou formando em Jornalismo e estou fazendo minha monografia sobre O espaço do futebol na TV! Valeu cara!

9:22 da manhã  

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