terça-feira, abril 25, 2006

Journalism with a Difference-Poynteronline

Enabling Coverage of Disability
People with disabilities want to see themselves in your coverage. Consider these tips for ways to do it right.

By Susan M LoTempio
Research and Training Center on Independent Living, University of Kansas-Lawrence
Society of Professional Journalists' Diversity Toolbox
National Center on Disability & Journalism

The most frustrating part of my job as a readership editor is hearing people complain that they don't read the newspaper because there's nothing in it that reflects their day-to-day lives.
Here's the irony: I have the same complaint.
I'm a wheelchair user who has worked in newsrooms for 30 years. And, not for lack of trying, I haven't had much success getting stories written about the things that affect me -- and people like me -- every single day. Things like:

Access to public places;
Subtle and not-so-subtle discrimination;
Poor medical care; and
Lack of recreational opportunities.

One in five Americans has a disability, according to the last census. That number may mushroom, as baby boomers hit their 60s and face the life-changing health challenges that come with aging.
Still, most reporters shy away from writing stories about disability. They think they're too hard to do. Reporters worry they'll say something during an interview that might offend a person who appears fragile. They worry about getting the jargon and medical terminology right.
Many editors don't assign stories about disability because they're "downers" -- the opposite of "inspirational" stories, which are perceived as good news.
In-depth coverage of disability issues requires no more effort or skill than any other story. First, do your homework. Then report, ask, research and report some more.
On the homework side of the equation, let me offer some guidance.

Understand who falls under the definition of disabled.
A person with a disability is generally defined as someone who has a physical or mental impairment that substantially limits one or more "major life activities" -- such as working, caring for one's self, walking, seeing or hearing -- has a record of such an impairment or is regarded as having such an impairment.

How do you interview a person with a disability?

The basics apply. Conduct the interview in a place that's convenient for both of you. Ask if there's any special arrangement that needs to be made (a site with no steps or a sign-language interpreter). Be open, honest and don't be afraid to ask the obvious. That's certainly more productive than ignoring something that might affect the quality of the interview. Also:

Focus on the person you are interviewing, not his or her disability. Speak directly to your subject, not to his or her companion or interpreter.

Ask before giving assistance. Wait for the answer before doing anything (such as pushing the wheelchair that the interview subject is using).

When talking to someone with a hearing loss, face him or her and don't cover your mouth.

When meeting an interview subject with a visual disability, identify yourself verbally. If he or she has a service animal or guide dog, don't praise, pet or talk to the animal.

A wheelchair, or other assistive device, is part of a person's body space. Don't lean on or touch the wheelchair, unless the person asks you to.

How do I know the right words to use?

The words a journalist uses can either reinforce stereotypes or help to correct them. These guidelines should help you use the correct terminology. But if you're in doubt, ask the person you are interviewing for the terms he or she prefers.

Avoid emotionally charged (and inaccurate) words, such as suffers from, afflicted with and victim.

Emphasize the person, not the disability. For example, use man with epilepsy, not epileptic, woman with diabetes, not diabetic.

Avoid generic labels like the deaf or the blind. Instead, use people who are deaf, or children who are blind.

Don't use condescending euphemisms or "cute" terms like handicapable, mentally different, or physically challenged.

Never use cripple when referring to a person. And don't use confined to a wheelchair. Instead, use person with a disability or person who uses a wheelchair.

Beware of the word special. It is too often used to describe separate, such as special buses for the disabled or special bathrooms. It's more accurate to write separate buses (or bathrooms) for the disabled. Even more important, avoid referring to people and children with disabilities as special. It is considered patronizing and condescending.

Non-disabled is the appropriate term for people without disabilities, not normal, healthy or whole.

And one last suggestion: When doing stories about disability, talk to people with disabilities.

Sure, that seems obvious. But you'd be surprised at how often reporters talk to those who "speak for" people with disabilities -- doctors, teachers, researchers and bureaucrats -- but never to those at the center of the story.
One of the most degrading stereotypes is that we can't speak for ourselves. Journalists can certainly help change that misperception.

sábado, abril 22, 2006

OS DIAS LOUCOS DO PREC José Pedro Castanheira

Texto da intervenção de José Pedro Castanheira na apresentação de
OS DIAS LOUCOS DO PREC
18.4.2006

"Comparado com as pessoas com quem tenho a honra de estar na mesa, e sobretudo com muitos dos presentes nesta sala, o meu papel neste "filme" foi o de um apagado e modestíssimo figurante. É certo que, em 1975 – tinha eu apenas 22 anos -, já trabalhava na imprensa, mas ainda não me sentia um jornalista a sério. Julgo que só passei a sê-lo em Agosto de 1975, já a aventura do PREC ia na segunda parte. Convidado a integrar a Redacção de um novo jornal diário, nem hesitei. Era um vespertino, chamava-se «A Luta» e era o substituto do «República», o jornal que em Maio fora silenciado, num processo muito polémico e discutido, mas cujos contornos exactos, em matéria de responsabilidades políticas, ainda não estão inteiramente esclarecidos. Dirigido pela dupla Raul Rêgo / Vítor Direito, a redacção de «A Luta» era, no essencial, a mesma do «República». Lá estavam nomes como João Gomes e Álvaro Guerra, o casal Rui Camacho e Helena Marques, o João Grego Esteves, o Eduardo Paz Ferreira, o José Rocha Vieira, os irmãos (e meus futuros companheiros de maratonas) Arons de Carvalho, o Francisco Belard (que, muitos anos depois, viria a reencontrar aqui no «Expresso»), e o Miguel Sousa Tavares, ele, como eu, caloiro de jornalismo de tarimba.
«A Luta» nasceu a 25 de Agosto. Dez dias depois, a 5 de Setembro, realizou-se a célebre Assembleia do MFA em Tancos, que marcou uma alteração decisiva na relação de forças entre as várias correntes político-militares e ditou a demissão do primeiro-ministro do V Governo Provisório, general Vasco Gonçalves. Jovem e verdíssimo estagiário, fui um dos enviados do jornal a Tancos. Fomos vários, lembro-me que em dois automóveis. Foi a primeira vez, como jornalista, que vi de perto, bem à minha frente, com a possibilidade de lhes fazer perguntas, numa sensação incrível, as principais figuras míticas da Revolução. Algumas delas, infelizmente, já faleceram, como Costa Gomes, Vasco Gonçalves, Pinheiro de Azevedo, Carlos Fabião. Outras, felizmente com saúde - algumas delas aqui presentes - como Vasco Lourenço, Rosa Coutinho, Varela Gomes ou Otelo Saraiva de Carvalho.
Estivemos em Tancos o dia todo. Regressámos à redacção, no Bairro Alto, exaustos e já noite dentro. Vinha com a cabeça a fervilhar de emoções, sensações e até algumas informações. Mas, acreditem, não escrevi sequer uma linha. Não passava de um estagiário de jornalismo, tinha ido apenas para ver, cheirar e aprender com os meus camaradas mais velhos e experientes. Na altura, fiquei desalentado e até frustrado por nada escrever. Sentia que tinha falhado o encontro com o acontecimento! Mas olhando para trás, ainda bem que não o fiz: provavelmente, prestaria um mau serviço aos leitores, ao jornal e a mim próprio. Essa inesquecível jornada de Tancos acabou por ser uma das minhas grandes aulas de jornalismo. Era assim que se estudava e aprendia jornalismo, há trinta anos...

A Assembleia de Tancos foi numa sexta-feira. No dia seguinte, sábado, a melhor informação vinha na primeira página do «Expresso». Aliás, esta revisitação do PREC - como o meu querido amigo Adelino gosta de lhe chamar - deu para perceber quanto mudou na Imprensa portuguesa nos últimos trinta anos. Direi mesmo que, de todos os títulos que sobreviveram, o «Expresso» foi o que menos mudou e que mais fiel se tem mantido a si próprio. Mesmo se trocou o acanhado andar que ocupava na Rua Duque de Palmela, por este fantástico e moderno palácio de aço e vidro em Laveiras. Mas, quanto ao mais, manteve-se praticamente constante. À sua volta, tudo mudou. Até a folha oficial mudou de título, de «Diário do Governo» para «Diário da República»...
Dos muitos semanários de expansão nacional então existentes, fossem jornais ou revistas, o «Expresso» é, significativamente, o único sobrevivente. Todos os outros desapareceram! E dos jornais diários de âmbito nacional, excepção feita aos do Porto - onde as coisas, em matéria de Imprensa, parecem mais sólidas e conservadoras... - apenas subsiste, calculem, o «Diário de Notícias», e à custa de sucessivas mudanças – no formato, na direcção, na propriedade, até na linha editorial. No «Expresso», em contrapartida, o principal proprietário era o mesmo de hoje. À época, Francisco Pinto Balsemão também era o director; não director de fachada, mas director efectivo, a orientar o jornal, a escrever notícias, a fazer entrevistas. Outros nomes viriam a integrar o património histórico do jornal: desde as análises, sempre imaginativas, de Marcelo Rebelo de Sousa, às reportagens de Augusto de Carvalho, passando por textos de Vicente Jorge Silva, José António Saraiva, Helena Vaz da Silva ou Maria João Avillez, sem esquecer os fantásticos cartoons de António. Dos inúmeros cronistas, da direita à extrema-esquerda, portugueses e estrangeiros, e para não provocar susceptibilidades por omissão, citarei apenas Eduardo Lourenço. Foi ele quem, em Agosto de 1975, comentou certeiramente um documento (mais um...) aprovado numa Assembleia do MFA e que definia o MFA como Movimento de Libertação Nacional. A partir de França, Eduardo Lourenço avisava, sempre lúcido: «De movimentos de libertação nacional, mais ou menos militares ou militarizados, está a História cheia».
Voz independente, crítica e livre, o «Expresso» incomodava o poder – como, de resto, já o fizera, no último ano do caetanismo. Razão porque, em Junho de 1975, um dirigente político das esquerdas exigia a ilegalização quer do «Jornal Novo», quer do «Expresso», sendo que este último era apontado como «o órgão que mais tem colaborado na intoxicação da opinião pública» - proposta que viria a ser apoiada, pasme-se, por alguns jornalistas e até governantes. No mesmo mês de Junho, um ministro viria a dizer do «Expresso» que é "talvez um bom jornal, mas é anti-nacional". E Vasco Gonçalves, no seu famoso discurso de Almada, chamou-lhe mesmo "pasquim". Sempre atento à área do poder, houve números em que a primeira página era preenchida, na totalidade, por notícias militares e quase todas em primeira mão. Temido pelo poder, era contudo lido, comentado e respeitado pela opinião pública. No Verão, chegou a ultrapassar os 130 mil exemplares de tiragem. E em Novembro, passou a sair duas vezes por semana (ao sábado e à quarta-feira), com o objectivo de tentar responder à «demasiada rapidez» com que decorria, agitada, a vida portuguesa. O «Expresso-Extra», porém, só saiu três vezes: com o 25 de Novembro, retomou a sua tradição e matriz inicial de semanário.

O «Expresso» é apenas uma das fontes deste livro, a par da restante Imprensa da época, de numerosos livros que ao longo destes trinta anos têm sido editados sobre o PREC, e de alguns testemunhos que fomos colhendo. Muita gente julga que já tudo foi dito e escrito sobre a Revolução portuguesa. Não é verdade. A simples leitura dos jornais da época mostra como subsistem inúmeras pistas por explorar e desenvolver, em torno de acontecimentos de que já nos esquecemos ou subavaliámos. Há episódios que davam, por si só, para grandes reportagens, senão mesmo para livros e inclusivamente documentários de televisão.
Um dos mais ignorados - e que não me canso de citar - foi a visita a Portugal do sociólogo francês Alain Touraine, certamente por ter ficado eclipsada pela anterior visita do ainda mais famoso Jean-Paul Sartre – de que publicamos uma fantástica fotografia (a pág. 50), com o filósofo a manusear uma espingarda-metralhadora G-3, no Ralis. Touraine e Sartre foram dos inúmeros intelectuais que fizeram o chamado turismo revolucionário em Portugal. Estava previsto que Touraine desse uma conferência no antigo Instituto de Ciências Sociais e Política Ultramarina - a escola que mais quadros coloniais forneceu à ditadura. No entanto, um inusitado plenário, de professores, estudantes e funcionários, impediu a conferência de Touraine, rejeitado por ser um "representante da sociologia francesa burguesa que se coloca acima da luta de classes". Quem ficou a ganhar foi o ISCTE, para onde a conferência foi transferida...
Outros episódios, bem mais conhecidos - e a merecer o devido tratamento histórico - são, por exemplo, a prisão, só na noite de 28 de Maio, de 432 militantes do MRPP; o julgamento e a absolvição, por um tribunal popular, de José Diogo, apesar de ser o assassino confesso de um latifundiário alentejano; as dezenas e dezenas de atentados bombistas, quase todos organizados pelos mesmos operacionais ligados a um grupo de extrema-direita; a destruição, também à bomba, mas pelo poder instituído, das antenas da Rádio Renascença; ou o assalto e incêndio da embaixada de Espanha, ante a passividade de polícias e militares, e o pavor das chancelarias. Já para não falar do cerco da Assembleia Constituinte, talvez o momento em que a conquista do poder, no sentido literal do termo, esteve à distância de um palmo.
Há muito, portanto, por desbravar sobre estes oito meses de euforia, frenesim e vertigem, a que chamámos, por conveniência jornalística, "Os Dias Loucos do PREC". Aliás, nos vários contactos telefónicos que fiz, junto de alguns presentes e outros ausentes, perguntaram-me quase sempre se o livro continha algumas revelações importantes. A convicção era, invariavelmente, a mesma: já passaram trinta anos, há muita coisa ainda por contar, é tempo das línguas se soltarem e as canetas (ou os teclados de computador) começarem a escrever. Também eu - ou melhor: também nós, o Adelino e eu - assim pensamos. Este é o nosso contributo.
Com este livro, os dois jornais prestam um verdadeiro serviço público. Esperemos que o exemplo frutifique, para que todos tenhamos um conhecimento mais rigoroso, completo e exaustivo da nossa própria História."

Paço d’Arcos, 18 de Abril de 2006

José Pedro Castanheira

quarta-feira, abril 19, 2006

OS DIAS LOUCOS DO PREC Adelino Gomes

Texto da intervenção de Adelino Gomes (fora os improvisos), na apresentação de
OS DIAS LOUCOS DO PREC
ADELINO GOMES
18.4.2006

Juntaram-se neste lugar, esta tarde, algumas das mais altas figuras da vida militar e política de Portugal, em 1975.
Que tenham vindo, a nosso convite, é uma honra que não cessaremos, nós, os autores, de vos agradecer.
Mas que o tenham podido e querido fazer juntos, passado este longo tempo e todas as suas vicissitudes, ultrapassa, de longe, o plano — estimável mas limitado — da gratificação individual.

Estão aqui, podemos dizer, quase todas as principais
tendências que naqueles oito meses e meio se digladiaram na arena do país, esgrimindo argumentos e, várias vezes, nalguns casos, brandindo G-3 e até trotil em defesa de uma ideia para Portugal.

Não era o mesmo o Portugal que ambicionavam (que ambicionávamos) erguer dos escombros cívicos deixados por meio século de ditadura.

Era até diferente. Nalguns casos bastante diferente, como tão bem expressa uma das célebres fotomontagens do Jornal Novo que reproduzimos neste livro e nos mostra, a oito dias do 25 de Novembro, duas partes já separadas de Portugal: acima do Mondego — Mário Soares, Sá Carneiro, Freitas do Amaral , o almirante Pinheiro de Azevedo, o brigadeiro Pires Veloso, o comandante Alpoim Calvão; a sul — Álvaro Cunhal, Otelo, Rosa Coutinho, José Manuel Tengarrinha e Pereira de Moura, Isabel do Carmo e o actor José Viana.
“Estão criadas condições para a existência e o antagonismo de dois Portugais. O Portugal Norte, que passa por socialista democrático. O Portugal Sul, que passa por comunista e extrema-esquerdista”, escreve Artur Portela Filho, em editorial desse dia, 18 de Novembro de 1975.

Mário Soares e Pires Veloso, Otelo, José Manuel Tengarrinha, Portela Filho, coabitam, num mesmo Portugal, 32 anos depois. Juntam-se-lhes aqui, neste auditório de um jornal marcante (amado e odiado nesse tempo) António Ramalho Eanes, Galvão de Melo, Vasco Lourenço, Lemos Pires, Tomé, Matos Gomes, Pezarat Correia, Sousa e Castro,
Jaime Gama, Luís Roseira (constituinte que no livro traça um panorama infelizmente ainda hoje actual do douro, ao ser substituído por António Barreto),
António Dias Lourenço, José Luís Saldanha Sanches, Maria José Morgado, Américo Duarte (que não vejo mas prometeu vir),
e numerosos nomes que nesse tempo escreviam notícias, reportagens, crónicas, editoriais, faziam noticiários, apresentavam programas (vi Joaquim Furtado, João Alferes Gonçalves, João Paulo Dinis,
Baptista Bastos, Carlos Albino, José Carlos Vasconcelos – deve ter ido paracima fechar a edção da Visão desta semana - José Sasportes)
— para além de muito outros, civis e militares, que ficam de fora, entre tantos dos que aqui se encontram e que, em pólos opostos, deram fogo, cada um a seu modo e na sua trincheira, às brasas que aqueceram aqueles meses.

Este livro é uma homenagem a todos eles e aos muitos outros, milhares de portugueses anónimos, que viveram, numa vertigem de entrega e paixão, os dias alucinantes do PREC.

Por mim, deixem dizer-lhes obrigado, nas vossas pessoas, militares e civis, que ao agirem como agiram, então e hoje, apesar de tantas ilusões e desilusões, de tantos erros até, determinaram e garantem um rumo a Portugal que permitiu ao Zé Pedro e a mim escrevermos nos nossos jornais livremente, sem que nunca a mais leve tentativa tenha sido feita, fosse por quem fosse, directa ou indirectamente, para que a história, as histórias que íamos contando fossem outras ou fossem contadas de outra maneira.
E que depois, quando chegou a hora de as passar a livro, o pudéssemos fazer em inteira liberdade e independência. Apenas nós, horas, noites sozinhos nestas instalações, nós, a equipa de produção, as secretárias, até ao momento de entregarmos o livro, que este sábado vai chegar (por ninguém lido antes, nas altas administrações ou direcções de um ou do outro jornal) às mãos dos leitores do Expresso e do Público.

Há gente nova para quem este agradecimento deve soar estranho. Mas quem era adulto em 25 de Abril de 1974 (jornalista, escritor, militar, político, cidadão) sabe do concreto, inestimável valor do que falo, e tem um nome: LIBERDADE.

segunda-feira, abril 03, 2006

Journalism with a difference

Teaming Up to Tell the Untold Stories
Thomas T. Huang

How editors and reporters can work together to tap into the diversity of their community
To thrive, we need to present our readers and viewers with more untold stories. By "untold stories," I follow the definition offered at a recent Poynter seminar: "compelling stories about different communities that often go unnoticed and ignored."

These are the kinds of stories that will bring readers back to us. But these are difficult stories to find and to tell. They must strike a delicate balance. They must reveal authentic differences within our cultures and communities, yet also evoke a universal theme that any reader can connect with.

The key to finding -- and telling -- the untold story lies in the editor/reporter relationship. The reporter must find a story that everyone else has passed by. The reporter must persuade the editor that it's a tale worth telling. The editor must trust the reporter's judgment. But the editor must also ask the hard questions that can sharpen the story's focus and make it even more compelling.

Having been on both sides of the relationship, I can offer these tips to finding, pitching and working with your editor on the untold story.

1. Diversify your source list. Before you tackle the untold story, develop good sources in diverse communities. Visit and re-visit the gathering points: churches, schools, community centers, clinics, nonprofit organizations. You will find the wise guide who will teach you about her community. Once you develop your source list, promote it -- and yourself. Let your editor and staff know what you've got -- and help them by offering your diverse sources for their stories. You want to become known in the newsroom as the reporter with the diverse Rolodex (or whatever you use these days).


2. Start small. First, find the small stories in these communities. Don't immediately try to get the Big Project. These small stories will help you gain credibility with your sources and create a track record with your editor. You can also start mainstreaming your diverse sources into traditional stories that aren’t necessarily related to race or culture.


3. Lay the groundwork with your editor. Talk to her about your personal mission to get diverse people and untold stories into the newspaper. For more on personal mission statements, see "Making Journalism Your Mission." Invite your editor to lunch at a restaurant in the community you're exploring. Get her to stop by a community event or church service. Create a community connection for her -- something she can experience, visualize and identify with. At the same time, give her published stories that exemplify what you'd like to achieve. Get her to share stories she admires.


4. Find allies across the newsroom. Identify the reporters who are good at covering diverse communities, or who get diverse sources into their beat stories. Befriend the staff photographers who are out on the street and are always coming up on good stories. Find mentorship from an editor who is not on your team, but who is interested in diversity issues. You don't want to shop stories around, but this editor could guide you on how to pitch your stories.


5. Find the untold story. Easier said than done, of course. But for story ideas on your beats, look for intersections of culture -- and I use "culture" broadly here, to include not just racial and ethnic cultures, but also those of gays, the elderly, the disabled and a multitude of others. Do you see any examples of cultural conflict or bridge-building? Dislocation or fusion? A struggle over cultural identity? For more, see "Framing Stories."


6. Consider your own untold story. One reason you've been brought into the newsroom -- besides being a talented, dedicated journalist -- is your personal background. You bring with you a different history and experience. Don't leave all of that at the door when you walk into the newsroom. Many newspapers now encourage their staff members to write first-person essays and columns that provide different cultural viewpoints. We need more of that, because it's often the first-person stories that get at the complexities and nuances of these issues. For more, see "Race, Unfiltered."


7. Sell the untold story to your editor. Every editor is different, and you're going to have to figure out what works best with yours. Here are some of the things I expect the reporter to think through before I approve an assignment:



Does the story have a simple premise? We know that the premise will evolve after more reporting, but for now, can the writer frame the story in two to three sentences?
Is there a central question that the story will try to answer?
Is there a person who can humanize the story -- who is articulate and reflective, who will give us access? Can we tell the story through that person's experience?
Will the story touch upon a universal theme, something that the reader will identify with and care about?
What's fresh about this story when compared to other stories on similar subjects?
Will the story get beyond stereotypes and clichés?
Do I sense that the reporter is committed to getting the story and will follow through?




8. Work with your editor. Update her whenever any of the answers to the previous questions change or become clearer.

Reporters and editors don't have to be combatants when producing untold stories for their news outlets. They can become true partners in the craft. In fact, it's crucial that they do so -- all for the sake of getting the best story.

recebido do Poynter