domingo, fevereiro 05, 2006

CARTA DE MADALENA OLIVEIRA

Caro Provedor,

Li, como habitualmente, o texto que publicou na coluna do Provedor dos Leitores da edição da passada segunda-feira, 30 de Janeiro, do Diário de Notícias. Li também, no blogue Irreal TV, o texto integral da carta aberta do Prof. Francisco Rui Cádima. Não me restam, por isso, dúvidas sobre o propósito e as inquietações que estão na sua origem. Contudo, não entendo por que razão o Provedor utiliza todo o espaço desta coluna a reproduzir, ainda que em excertos, a referida carta. Não querendo propriamente discutir o ponto de vista do Prof. Francisco Rui Cádima - que é francamente discutível -, gostaria de conhecer as motivações do Provedor para acolher desta forma esta interpelação.

Se bem entendo, a função do Provedor é ser um mediador entre o jornal (para o qual trabalha) e os seus leitores, discutindo assuntos de carácter sobretudo deontológico. "A principal missão do provedor dos leitores", diz o Diário de Notícias, "consiste em atender as reclamações, dúvidas e sugestões dos leitores e em proceder à análise regular do jornal, formulando críticas
e recomendações." Diz-se ainda que "o provedor exercerá, simultaneamente, de uma forma genérica, a crítica do funcionamento e do discurso dos media."

Ora, a carta do Prof. F. Rui Cádima não corresponde a nenhuma destas missões. Não entendo sequer que ela seja de "interesse para os leitores" ou de "importância para o jornalismo em Portugal". Ou melhor, admitindo que o Prof. Cádima tem toda a legitimidade para dizer publicamente o que pensa sobre a Entidade Reguladora da Comunicação, não cabe ao Provedor reproduzir, sem mais, as opiniões que parecem ser de importância para o jornalismo e
para os leitores. A questão que preocupa o Prof. Cádima nem sequer respeita concretamente ao jornal de que o Dr. José Carlos Abrantes é provedor.

Estou plenamente de acordo com o comentário que faz no final, questionando por que razão os nomes de não académicos são excluídos das sugestões do Prof. Cádima. Contudo, não entendo por que deve o provedor ocupar-se de um assunto de carácter político, que, pelo menos nesta fase, nada tem de pertinente para o bom exercício do jornalismo. Deverão os jornalistas em geral e os do Diário de Notícias em particular dedicar mais atenção à constituição da nova Entidade Reguladora da Comunicação? Seguramente que sim, dada a importância que a regulação tem para o bom funcionamento dos media, mas não pela questão que preocupa o leitor Francisco Rui Cádima.

Gostaria, naturalmente, que o Provedor fundamentasse melhor a pertinência que reconheceu a este assunto, ou melhor, à forma como ele é problematizado nesta carta aberta, dirigida a quem, com efeito, não cabe propriamente discutir o assunto.

Com os melhores cumprimentos,

Madalena Oliveira

1 Comments:

Blogger Catarina said...

ola mada xd fixe

8:31 da manhã  

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